José Artur Leitão Bárcia (Lisboa, 1873–1945) foi um dos mais interessantes fotógrafos amadores portugueses do início do século XX. Documentalista e experimentador visual, colaborou em revistas como ‘Serões’ e ‘Illustração Portugueza’, participou em inúmeras exposições e manteve estreita colaboração com Júlio de Castilho, cujos livros ilustrava.
Deixou obra fundamental para a memória visual de Lisboa: fotografias de bairros, ruas, escadinhas, pátios, igrejas e edifícios, ambientes, locais e transformações urbanas. As suas reproduções fotográficas incluem gravuras e desenhos antigos, num levantamento exaustivo de fontes olisiponenses . Nas fotografias originais, revela preocupações estéticas, enquadramentos ousados, atmosferas nocturnas e jogos de nevoeiro e luz próximos do simbolismo europeu da época.
O espólio de Bárcia, hoje repartido entre o Arquivo Municipal de Lisboa e várias colecções particulares, é composto por centenas de imagens. Inclui, por exemplo, parte do chamado ‘fundo antigo’ do arquivo camarário (fotografias realizadas para a CML entre 1896 e 1912).
Também registou fotograficamente outros locais: Palmela, Setúbal, a Quinta do Anjo, onde conviveu com populações e fixou imagens do quotidiano rural. Bárcia teve igualmente grande fascínio pela tecnologia do seu tempo: o fonógrafo de cilindros de Edison, a lanterna mágica, os equipamento de projecção, etc.
Bem lisboeta apesar das suas origens galegas, fez a primeira sistematização para registo iconográfico da cidade. Os seus postais ilustrados (albuminas que vendia em tiragens reduzidas) são hoje parte importante da arqueologia sentimental de Lisboa.




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