A mesa de tampo amarelo e uma rifa da Feira Popular de Lisboa servem de ponto de partida para uma evocação pessoal da Feira Popular e da própria memória de Lisboa. No nono tomo do título, publicado em 2007, a autora recorda como essa mesa desmontável a acompanhou ao longo da vida e se tornou “a mesa da paginação” de todos os volumes de Lisboa Desaparecida, simbolizando a ligação entre o trabalho de escrita e a infância passada naquele universo de luzes, carrosséis, rifas, farturas e comboios-fantasma.
A Feira Popular abriu em Palhavã a 10 de Junho de 1943, por iniciativa do jornalista João Pereira da Rosa e do jornal O Século, com o objectivo de financiar a Colónia Balnear Infantil d’O Século. Instalou-se nos terrenos da antiga Quinta de Santa Gertrudes, onde antes existira o Jardim Zoológico, e rapidamente se tornou um espaço de entretenimento popular e moderno numa Lisboa marcada pela guerra e pelas dificuldades económicas. Em 1957, a Feira encerrou em Palhavã para dar lugar ao projecto da Fundação Calouste Gulbenkian, sendo transferida para Entre-Campos, onde reabriu em 1961 com novos divertimentos e maior dimensão.
Durante décadas, a Feira Popular foi dos principais espaços de lazer dos lisboetas, atravessando gerações e adaptando-se às mudanças da cidade. O encerramento definitivo ocorreu em 2003, num contexto polémico, deixando no lugar das diversões apenas demolições, pó e, claro, especulação dos solos. O texto termina como homenagem sentimental a esse espaço desaparecido e à felicidade infantil que nele se viveu.





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