A Ourivesaria Baeta da Rua do Ouro foi uma das mais conhecidas casas da Baixa de Lisboa. As suas origens remontam à antiga Joalharia Pontes, uma das mais antigas e notáveis do género na capital, que executou diversos trabalhos para a Casa Real. Segundo testemunhos da época, a tradição do estabelecimento recuava ainda mais longe, sucedendo a uma outra ourivesaria pertencente a um comerciante de apelido Seixas. Um dos proprietários da Joalharia Pontes, Joaquim Luís Pontes, era não só dono do estabelecimento como também do prédio onde este se encontrava instalado.
Em 1886, entrou para a firma João Martins Ferreira Baeta, cujo apelido acabaria por identificar o estabelecimento. Após a sua morte, em 1908, a casa passou para o filho, Alberto Seabra Baeta, nascido em 1893, que contava então apenas dezassete anos, mas já possuía sólida experiência de oficina. Tornou-se gerente em 1918 e único proprietário em 1922, conduzindo a empresa durante mais de meio século nos números 55 a 67 da Rua do Ouro. Sob a sua direcção, a firma alcançou grande prestígio, sendo Alberto Seabra Baeta agraciado com a Comenda do Mérito Industrial, além de exercer funções como director do Grémio dos Ourives e presidente da Associação de Socorros Mútuos dos Ourives de Prata. O seu filho, Carlos Alberto Borba Baeta, colaborou igualmente na empresa.
Remodelada, a joalharia reabriu ao público a 18 de Janeiro de 1939 com fachada e lettering feitos pelo escultor João da Silva (os mesmos que se reconhecem nas fotografias da década de 1940). Novas obras tiveram lugar em Outubro de 1970, mas a histórica casa acabaria por encerrar definitivamente a 31 de Janeiro de 1979. A frontaria da loja esteve anos ao abandono, até ser transformada para instalação de mais um banco.
O apelido Baeta encontra-se documentado em Portugal pelo menos desde o século XVII, através da família de Domingos Simões Baeta, de Álvares, no concelho de Góis. Curiosamente, o nome sobrevive também na linguagem popular lisboeta através da expressão «ir ao baeta», usada durante gerações para significar uma ida ao barbeiro ou ao cabeleireiro. Provavelmente, a família era já um nome de referência na Baixa.








