Durante séculos, a designação das ruas de Lisboa foi essencialmente oral, de uso quotidiano e memória colectiva.
A mudança para toponímia oficial surge no contexto da reconstrução após o Terramoto de 1755: ao longo da década de 1760, com a reorganização pombalina da Baixa, começam a ser fixados nomes oficiais e a marcar-se os arruamentos. As primeiras “placas” não eram peças aplicadas, mas inscrições gravadas directamente na pedra dos cunhais.
Esse modelo manteve-se durante décadas, e ainda hoje podem ver-se exemplos na Baixa. Já no século XIX, com a necessidade de ordenar serviços de correio e polícia, generaliza-se a identificação sistemática das ruas e dos números de porta. Surgem soluções mais económicas, como inscrições pintadas (letras brancas sobre fundo escuro) nas fachadas, muito características de bairros antigos como Alfama e Castelo.
Ao longo do século XX, a diversidade aumenta, tornando mais fácil datar modelos. Placas de azulejo branco com filete e letras azuis difundem-se sobretudo a partir de 1910 (com maior expansão entre as décadas de 1930 e 40. Nos anos seguintes, começa o uso das placas de cantaria em lioz, gravadas e pintadas. São ainda o modelo mais comum, especialmente nas zonas de expansão urbana posterior a 1950. Nas décadas finais do século XX surgem variantes decorativas (placas com bordadura heráldica) e passa a ser frequente incluir legendas biográficas nos topónimos.
A evolução das placas toponímicas de Lisboa não foi linear. Hoje em dia, restam sobreviventes de quase todas as épocas. Conhecer-lhes as diferenças permite um curioso passeio pela história da cidade.






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