sábado

O CÉLEBRE 92

 A célebre Loja 92 da Rua Nova do Almada, no Chiado, foi fundada em 6 de julho de 1876 por Albino José José Baptista. Vendia bengalas, leques, sombrinhas, guarda-chuvas e outros acessórios de moda, muitos deles exclusivos e inspirados nas novidades parisienses. Tornou-se uma referência no comércio lisboeta do final do século XIX. O número da porta — 92 — acabou por dar nome ao estabelecimento, que era conhecido simplesmente como ‘Loja 92’. No início do século XX a firma prosperou e abriu também uma sucursal na Rua do Ouro, nº 110. 

Entre os hábitos da casa estava o de oferecer brindes aos melhores clientes (final do século XIX e primeiros anos do século XX). Os pratos decorativos, com o ano inscrito e produzidos especialmente para a loja, eram oferecidos como recordação, mediante a entrega de vários ‘coupons’ de compras. São hoje peças muito procuradas pelos coleccionadores de objectos lisboetas.

O 92 ardeu no incêndio de 25 de Agosto de 1988. Ainda se instalou provisoriamente numa rua da Baixa, onde Marina Tavares Dias entrevistou os proprietários, em Dezembro desse ano. Esperavam regressar ao Chiado após as obras de reconstrução. Nunca aconteceu.





quinta-feira

RENDEZ-VOUS DAS GALINHAS

Designação cosmopolita e sofisticada para uma venda que seria tudo menos isso. Na década de 1920, ainda podia matar-se a criação à frente do cliente. Coisa que decerto não impressionaria estes vendedores, felizes por poderem posar para o retrato.

O Mercado das Picoas, oficialmente chamado Mercado 31 de Janeiro, foi criado pela Câmara Municipal de Lisboa em 1905, quando a zona das Avenidas Novas começava a urbanizar-se rapidamente. Destinava-se a abastecer os novos bairros que cresciam em torno das Picoas, do Saldanha e de São Sebastião da Pedreira. Ao contrário de outros mercados municipais construídos em pavilhão, o das Picoas funcionou durante muito tempo de forma simples, com bancas e pequenas lojas voltadas para a rua, formando um mercado muito vivo e popular. Ali vendiam-se os produtos essenciais da alimentação quotidiana — hortaliça, fruta, peixe, carne, ovos — e era frequente encontrar aves vivas, como galinhas ou coelhos, que eram preparadas no próprio local. 

Em 1929, participou no concurso 'Rainha dos Mercados de Lisboa', organizado pelo Diário de Lisboa, iniciativa que envolveu vendedeiras de vários mercados da cidade. O prémio com que foi distinguido esteve inscrito numa placa até ao fim. Durante todo o século XX, o 31 de Janeiro manteve-se como importante ponto de abastecimento da zona, muito frequentado pelos moradores. Continuou em funcionamento até ao início da década de 1990. Foi o penúltimo mercado tradicional de Lisboa a encerrar. O último seria o de Santa Clara.






CARTAZES NA AVENIDA ALMIRANTE REIS

Durante décadas, a mudança de programa dos grandes cinemas de Lisboa era também um espectáculo de rua. A operação fazia-se quase sempre dura...