Designação cosmopolita e sofisticada para uma venda que seria tudo menos isso. Na década de 1920, ainda podia matar-se a criação à frente do cliente. Coisa que decerto não impressionaria estes vendedores, felizes por poderem posar para o retrato.
O Mercado das Picoas, oficialmente chamado Mercado 31 de Janeiro, foi criado pela Câmara Municipal de Lisboa em 1905, quando a zona das Avenidas Novas começava a urbanizar-se rapidamente. Destinava-se a abastecer os novos bairros que cresciam em torno das Picoas, do Saldanha e de São Sebastião da Pedreira. Ao contrário de outros mercados municipais construídos em pavilhão, o das Picoas funcionou durante muito tempo de forma simples, com bancas e pequenas lojas voltadas para a rua, formando um mercado muito vivo e popular. Ali vendiam-se os produtos essenciais da alimentação quotidiana — hortaliça, fruta, peixe, carne, ovos — e era frequente encontrar aves vivas, como galinhas ou coelhos, que eram preparadas no próprio local.
Em 1929, participou no concurso 'Rainha dos Mercados de Lisboa', organizado pelo Diário de Lisboa, iniciativa que envolveu vendedeiras de vários mercados da cidade. O prémio com que foi distinguido esteve inscrito numa placa até ao fim. Durante todo o século XX, o 31 de Janeiro manteve-se como importante ponto de abastecimento da zona, muito frequentado pelos moradores. Continuou em funcionamento até ao início da década de 1990. Foi o penúltimo mercado tradicional de Lisboa a encerrar. O último seria o de Santa Clara.

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