LAVADEIRAS EM ENTRE-CAMPOS
«Os Melhores Postais de Lisboa», 1995:
LAVADEIRAS EM ENTRE-CAMPOS
«Os Melhores Postais de Lisboa», 1995:
JERÓNIMO MARTINS
Desde 1878, era para aqui (de Vale de Lobos, onde voluntariamente se exilara) que Alexandre Herculano exportava em exlusivo o seu azeite de médio proprietário agrícola. Este "aqui" era uma casa referencial de Lisboa e sê-lo-ia até ao incêndio do Chiado de 1988: o Jerónimo Martins. Ei-la, talvez no máximo do seu esplendor de múltiplas montras ostentatórias quer da variedade e do exotismo dos produtos à venda, quer do dourado das suas medalhas, quer ainda do pergaminho da data setencista da sua fundação (1792). Tem de tudo esta casa única no seu género no Chiado da época: víveres, leques e perfumes, louças da China e do Japão, novidades, chás... Será um chá isso que a dama do chapéu escolhe? E que faz ali, parada no passeio, a rapariga de avental? Um homem, apressado, sobe a Rua Garrett. Outro, mais vagaroso, desce-a. Um marçano estacou a meio para dois dedos de conversa com alguém encoberto pelo candeeiro (ainda a gás? já de electricidade?). Numa porta, e mal se vê, enfastia-se um lojista posterior a Cesário, doutra parece ir sair um rapaz com um saco. De chapéu na cabeça, três outros olham a objectiva, como o faz a rapariga do avental. Nenhum tem nada nas mãos, e as mãos sobram-lhes. Como o tempo que por este Chiado passa. É Lisboa, 1903. Lentas escorrem as horas frente ao Jerónimo Martins...
Menu do salão de chá, pastelaria e restaurante dos Grandes Armazéns do Chiado, 1955. Em: «Lisboa Desaparecida», volume IX, capítulo «Restaurantes e Petiscos». Peça do Arquivo Marina Tavares Dias.
Correu até ao fim
O ELÉCTRICO PARA A BOLA
O domingo em todo o seu esplendor. Dia de futebol. Carro "à cunha" . Só homens, a caminho dos estádios. Para ir ver o Benfica ao Campo Grande, ou o Sporting ao Lumiar, viajar de eléctrico, mesmo nas piores condições, podia ser uma aventura. Disso é prova o aspecto alegre destes "penduras" em fato domingueiro. Em plena Avenida da República, vislumbra-se, à esquerda, o edifício da Ideal das Avenidas, hoje demolido (fotografia c. 1948, arquivo M.T.D. - direitos reservados).
Durante décadas, a mudança de programa dos grandes cinemas de Lisboa era também um espectáculo de rua. A operação fazia-se quase sempre dura...