Em 1919, foi a confeitaria trespassada a Alfredo de Araújo Mourão. Era um comerciante regressado de Lourenço Marques, onde explorara, com a mulher, D. Maria Judite, o Hotel de Paris. O casal ficou igualmente ligado ao Martinho da Arcada: Alfredo Mourão tomou conta da confeitaria da Rua Nova do Almada, enquanto D. Maria Judite dirigia o velho café do Terreiro do Paço. Neste, costumava convidar Fernando Pessoa para o jantar, já depois de encerrado o café, nas noites em que o poeta por ali aparecia.
Após a morte do pai (1960) a direcção dos estabelecimentos passou para a filha, Albertina de Sá Mourão. Não foi apenas depositária do nome antigo: dirigiu a Ferrari, administrou o Martinho da Arcada e procurou assegurar a continuidade de ambos, associando à exploração deste último alguns dos seus empregados mais antigos. Conservava também objectos e documentos ligados a Fernando Pessoa, entre eles um poema autógrafo escrito em papel timbrado da Ferrari. Fotografei tudo isso em 1986.~
A confeitaria manteve-se na Rua Nova do Almada até ao incêndio do Chiado, a 25 de Agosto de 1988. Destruído o salão histórico, mas poupadas as cozinhas, instaladas num anexo, D. Albertina ainda tentou manter a actividade em instalações provisórias na Calçada de S. Francisco. A velha Ferrari, porém, não sobreviveria por muito tempo à perda da casa onde funcionou durante 142 anos.




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