Fundada em 1884 pelos irmãos Alfredo Inácio e José Inácio da Silva, a histórica Ramos & Silva começou numa pequena loja da Rua da Escola Politécnica, passando depois para a Rua (Nova) do Carmo e instalando-se no início do século XX no n.º 63-65 da Rua Garrett.
Inicialmente ligada às então revolucionárias ‘instalações de electricidade, pára-raios e equipamentos técnicos’, a firma tornou-se das mais prestigiadas lojas portuguesas. Especializou-se depois em óptica, representando marcas internacionais como Zeiss e Busch e fornecendo hospitais, organismos do Estado, Cooperativa Militar e Caminhos de Ferro Portugueses. Em 1924 abriu uma filial na Rua do Ouro, 140, consolidando a presença na Baixa lisboeta.
A loja do Chiado foi profundamente remodelada em meados da década de 1960, num projecto associado ao arquitecto Fernando Silva, adquirindo o aspecto moderno que muitos lisboetas ainda recordam.
Após mais de 120 anos de actividade, a casa passou para a André Ópticas (2006, como Óptica do Chiado), conservando a identidade histórica. O encerramento definitivo ocorreu em 2023, figurando entre as mais simbólicas perdas do programa municipal «Lojas com História».
O desaparecimento da Ramos & Silva provocou vários protestos, uma vez que a loja estava identificada na Carta Municipal do Património e parecia haver garantias que as obras no edifício não comprometeriam a sua preservação. Na prática, isso não aconteceu. O interior histórico foi eliminado durante a destruição do interior do prédio, naquilo que muitos observadores descreveram como um verdadeiro esventramento.
Desapareceu um dos mais notáveis exemplos de arquitectura comercial do Chiado e uma das mais antigas casas de óptica portuguesas.




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