Uma longa e ilustre genealogia de varinas alfacinhas motivou, ao longo de décadas, inúmeras inspirações. Em retrato a óleo ou fotografia, caricatura ou máscara mais ou menos estilizada, a varina lisboeta transformou-se em moda. Eram vários milhares, a galgar calçadas, com os primeiros raios do sol, enfeitando a Lisboa do início do século.
Fosse ou não pela notoriedade da sua imagem quase logotipo, orgulhavam-se do mester de vender. Desde pequenas, consideravam-no vocação. Seria o caso desta minúscula varininha fotografada por Paulo Guedes? Há quem a considere apenas mascarada, num qualquer carnaval por volta de 1900. Seja como for, é o mais celebrado postal da melhor série sobre costumes de Lisboa (Lisboa na Rua), o que equivale a dizer um dos melhores postais portugueses.
Numa análise mais minuciosa (a partir do negativo original), nota-se indumentária idêntica - incluindo tecido utilizado - à da figura da esquerda. Provavelmente, o mesmo sangue nas veias, o mesmo sangue na guelra. O que quer dizer não se tratar de máscara, mas de encaminhamento. Dada a exiguidade da canastrinha, é de crer, contudo, que ainda não pregoasse.
Marina Tavares Dias

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