Marina Tavares Dias, Olisipografia

38 anos de criatividade pessoal ao serviço do colectivo, na defesa de LISBOA

terça-feira

 CHIADO ACIMA, CHIADO ABAIXO


É comum encontrar uma dúzia de conhecidos enquanto se percorrem os quarteirões da Rua Garrett. O que levaria cinco minutos a descer transforma-se em derrame duma manhã inteira. Mas ninguém se importa com isso. Há tempo para tudo, ou assim parece. Toma-se café sempre sentado e à espera de companhia. As misturas são aromáticas e diversas - provenientes das colónias ou dos negócios rentáveis com o Brasil - mas vêm mornas. Não é hábito encher a chávena atrás do balcão: os criados trazem-na vazia até à mesa onde aviam da mesma cafeteira todos os convivas. A palavra “bica” está, portanto, por inventar. A melhor moka do século XIX não passa daquilo que, no futuro, se chamará “café de saco”.

(in Lisboa Desaparecida de Marina Tavares Dias, volume IV)

Em baixo: Interior dos Grandes Armazéns do Chiado
Fotografia de Marina Tavares Dias, 1985




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