Marina Tavares Dias em «Lisboa Desaparecida», volume IV:
Balthazar Rodrigues Castanheiro, fundador da Confeitaria Nacional, foi também membro destacado da irmandada da Senhora da Oliveira. O seu estabelecimento inicial ocupava só duas portas. Apenas por volta de 1835, com obras de ampliação, passou a ostentar o aspecto actual, tornejando para a Rua dos Correeiros. Quando morreu, 40 anos após a fundação da casa, Balthazar Castanheiro deixou a seu filho um negócio seguro e próspero. Conseguira também algo mais difícil: motivar a família com a sua paixão, garantindo assim a continuidade da casa e do seu nome.
Uma tradição muito antiga, confirmada por olisipógrafos e actuais proprietários, diz que o hoje imprescindível bolo-rei nasceu, por assim dizer, nas cozinhas da Confeitaria Nacional. Balthazar Castanheiro Júnior era um homem bastante viajado. Ainda o século XX vinha longe, já ele recebia medalhas e mais medalhas, nas grandes exposições universais. Um dia, trouxe de Paris a fórmula ideal para vender no final das festas natalícias: o bolo-rei.
A história de um bolo associado à realeza vem de pagãs e remotas eras. Deitar sortes à ventura, através da fava introduzida na massa, poderá ter decidido muita coisa nas vidas de soberanos hoje esquecidos. Na Roma antiga, o bolo tomou parte em rituais da festa de Saturno. Os cristãos adoptaram o costume, ligando-o à Epifânia e aos três Reis Magos.

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